Segunda queda do teto do consignado CLT em três meses reduz acesso ao crédito para quem mais precisa
Após dois cortes no teto de juros do consignado CLT em três meses, as concessões caíram 29% e bancos menores saíram do mercado. Trabalhadores de baixa renda são os mais afetados.

O governo federal reduziu pela segunda vez em três meses o teto de juros do consignado CLT. A primeira intervenção veio em abril de 2026, com a Resolução CGCONSIG 2, que criou um sistema de monitoramento da taxa média de mercado. A segunda, em junho, com a Resolução CGCONSIG 3 e a Portaria MTE 1.115/2026, fixou um teto específico de 1,99% ao mês para contratos com garantia.
O objetivo declarado é proteger o trabalhador de juros abusivos. Os dados dos primeiros meses, porém, apontam um efeito colateral relevante: menos crédito chegando a quem mais precisa.
O que os números mostram
Após o primeiro teto, as concessões mensais de consignado privado CLT caíram de R$ 10,6 bilhões em março para R$ 7,7 bilhões em maio, redução de 29% em dois meses. No mesmo período, a taxa média recuou apenas 0,15 ponto percentual, passando de 3,82% para 3,67%.
O resultado é exatamente o inverso do objetivo: o volume caiu, mas o preço praticamente não mudou.
Por que o crédito recuou sem os juros caírem
O programa do Crédito do Trabalhador incluiu no consignado CLT trabalhadores historicamente fora do radar das instituições financeiras: negativados, funcionários de pequenas e médias empresas e pessoas com remunerações de até dois salários mínimos. Esses perfis têm custo de operação mais alto para os bancos, o que exige taxas maiores para a conta fechar.
Com o teto reduzido, bancos médios e fintechs que atendiam esse público passaram a ter dificuldade de operar com margem positiva e retiraram ou reduziram suas ofertas. Quem perdeu o acesso foi justamente o trabalhador que o programa buscava incluir.
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O que o governo espera com as garantias
A introdução das garantias do FGTS e das verbas rescisórias a partir de junho é o contrapeso regulatório para esse problema. A lógica é que, com menor risco de inadimplência, as instituições possam oferecer taxas menores de forma natural, sem necessidade de um teto imposto.
Se a estratégia funcionar, o teto de 1,99% para contratos com garantia pode fazer mais sentido no médio prazo, pois a garantia reduz o custo do risco para o banco e viabiliza a taxa mais baixa. O problema está nos contratos sem garantia, onde o teto de abusividade continua sendo o único limite e o trabalhador mais vulnerável ainda pode encontrar dificuldades de acesso.
O que muda para o trabalhador CLT agora
Quem busca crédito consignado CLT hoje encontra um mercado com menos ofertantes, taxas médias ainda acima de 3,5% ao mês e a nova opção de oferecer garantias para tentar acessar condiçõe


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