Abono salarial: 4,5 milhões de trabalhadores perdem o benefício até 2030
Novas regras do abono salarial reduzem gradualmente o teto de renda para acesso ao benefício. Cerca de 559 mil trabalhadores já deixam de receber em 2026. Veja se você ainda tem direito.

O governo federal projeta que 4,56 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial até 2030. A mudança foi aprovada no fim de 2024 e já está em vigor neste ano, quando cerca de 559 mil pessoas perdem o benefício pela primeira vez.
A alteração não cancela o abono nem reduz o valor para quem continua elegível. O que muda é o critério de acesso, que fica progressivamente mais restrito ao longo da década.
Por que o teto de renda está caindo
Até 2025, tinham direito ao abono salarial trabalhadores com renda média de até dois salários mínimos no ano-base. A nova regra desvincula esse teto do salário mínimo e passa a corrigi-lo apenas pela inflação, pelo INPC.
Na prática, como o salário mínimo sobe mais do que a inflação historicamente, o teto de renda vai encolhendo em relação ao piso salarial a cada ano. Em 2026, o limite é de R$ 2.765,93, equivalente a 1,96 salário mínimo. Em 2027, cai para 1,89 salário mínimo. O processo segue até atingir 1,5 salário mínimo em 2035.
| Ano | Teto de Renda | Trabalhadores excluídos (acumulado) |
|---|---|---|
| 2026 | 1,96 salário mínimo | 559 mil |
| 2027 | 1,89 salário mínimo | 2,14 milhões |
| 2030 | ~1,77 salário mínimo | 4,56 milhões |
| 2035 | 1,5 salário mínimo | estimativa ainda não divulgada |
Quem ainda tem direito em 2026
Para receber o abono salarial referente ao ano-base 2024, o trabalhador precisa cumprir três condições: ter pelo menos cinco anos de cadastro no PIS, ter trabalhado com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024 e ter recebido renda média de até R$ 2.765,93 por mês naquele ano.
O valor do benefício é calculado proporcionalmente aos meses trabalhados e pode chegar a um salário mínimo completo para quem trabalhou os 12 meses. Para consultar se tem saldo disponível e acompanhar o calendário de pagamento, o caminho mais direto é o app da Carteira de Trabalho Digital, na aba de benefícios. Veja o passo a passo completo: Como consultar o abono salarial PIS pela Carteira de Trabalho Digital
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O impacto fiscal da mudança
A economia projetada com as novas regras é de quase R$ 25 bilhões acumulados até 2030. Ainda assim, o gasto total com o benefício deve crescer no período, saindo de R$ 34,36 bilhões em 2026 para R$ 39,27 bilhões em 2030, impulsionado pelo aumento do número de trabalhadores formais no país, que deve subir de 59,86 milhões para cerca de 67 milhões no mesmo período.
O que os especialistas dizem
A mudança divide opiniões. Parte dos economistas defende que o abono salarial não é o mecanismo mais eficiente de distribuição de renda, já que beneficia trabalhadores formais com renda próxima a dois salários mínimos e não alcança os mais vulneráveis. Outros alertam que o corte progressivo penaliza justamente a classe trabalhadora que usa o benefício como complemento de renda anual para despesas como material escolar e contas acumuladas.
O fato é que, para quem está próximo do novo teto, vale verificar agora se ainda tem direito antes que a janela de elegibilidade se feche nos próximos anos.
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