Dívida recorde e luz mais cara: quando o consignado ajuda

A luz subiu 7,98% em setembro e a dívida das famílias está em 49,9% da renda. Veja quando o consignado ajuda e quando aperta.

Publicado por Time da VIPPublicado em 13/10/2026Atualizado em 13/10/2026
Dívida recorde e luz mais cara: quando o consignado ajuda

A conta de luz subiu 7,98% em setembro, segundo o IBGE, e as famílias brasileiras devem o equivalente a 49,9% da renda de um ano, igualando o recorde do Banco Central. Nesse cenário, o consignado pode ajudar quem troca uma dívida cara por uma parcela menor, mas aperta ainda mais o orçamento de quem usa o crédito só para cobrir as contas do mês.

A diferença está no uso: substituir juros altos por juros baixos alivia, enquanto somar uma dívida nova a outras que continuam crescendo só adia o problema.

A luz subiu 7,98% com o fim do bônus de Itaipu

O IPCA de setembro foi de 0,82%, e a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%. A maior pressão veio da energia elétrica residencial, que subiu 7,98% depois que o bônus de Itaipu, creditado nas faturas de agosto, saiu da conta. A bandeira tarifária amarela continua valendo e soma R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

A alta não ficou só na luz: alimentação subiu 0,83%, puxada por tomate e batata, e os combustíveis, 1,41%. Para quem já tem o orçamento no limite, essas contas pesam todo mês.

As famílias já usam 28,7% da renda para pagar dívidas

Pelos dados do Banco Central, a dívida das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada em 12 meses em julho, igualando o recorde. Sem contar o financiamento da casa própria, a fatia é de 30,8%. E o peso mensal está no máximo: 28,7% da renda vai para pagar parcelas e juros.

O efeito já aparece na economia. Segundo reportagem da Folha, economistas esperam que o consumo das famílias cresça em torno de 1% em 2026, o menor avanço desde a pandemia, justamente por causa do endividamento e do comprometimento de renda elevados.

No rotativo, a dívida cresce cinco vezes mais rápido que no consignado

O juro médio do rotativo do cartão foi de 444,9% ao ano em agosto, segundo o Banco Central, perto de 15% ao mês. No empréstimo consignado CLT, a taxa média era de 3,2% ao mês, segundo o Ministério do Trabalho. Na prática, cada R$ 1.000 parados no rotativo custam cerca de R$ 150 por mês, contra uns R$ 32 no consignado, como mostramos no post 13º salário 2026: datas da 1ª e 2ª parcela.

A taxa é menor porque a parcela sai direto do salário ou do benefício, o que reduz o risco para o banco. A mesma lógica, porém, tem um lado delicado: a parcela sai antes de o dinheiro chegar à sua conta, e isso exige que ela caiba de verdade no orçamento. Compare as opções em cartão de crédito ou empréstimo: qual vale mais a pena.

Quando o consignado ajuda e quando aperta

O consignado ajuda quando substitui o rotativo ou o cheque especial por uma parcela fixa e menor, quando junta várias dívidas caras em um pagamento só e quando a parcela cabe no mês com folga, depois das contas fixas. Ele só resolve de vez se o gasto que gerou a dívida também for cortado.

O consignado aperta quando vira dinheiro novo para gastar, sem quitar nada, quando a parcela ocupa toda a margem e não sobra espaço para imprevistos, e quando serve só para pagar uma conta que vai se repetir no mês seguinte, como a própria luz. Nesses casos, o cartão tende a voltar para o rotativo, e a pessoa passa a ter duas dívidas.

Para ver quanto da sua margem está livre antes de qualquer decisão, use a calculadora de margem consignável CLT.

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Para aposentados, só os 35% do empréstimo estão disponíveis

A margem do consignado INSS voltou a 45% do benefício, mas os 10% reservados aos cartões seguem suspensos pelo TCU. Na prática, aposentados e pensionistas podem usar até 35% do benefício em parcelas de empréstimo, como explicamos em margem do consignado INSS voltou a 45%. A regra de ouro é a mesma: a parcela precisa caber depois das despesas de saúde e das contas fixas.

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Antes de pegar crédito, ataque a conta que mais cresceu

Se o problema é a conta de luz, vale olhar primeiro para ela. Confira o consumo em kWh na fatura, desligue aparelhos em modo de espera e evite chuveiro elétrico e ferro de passar nos horários de maior uso. Famílias inscritas no Cadastro Único podem ter direito à Tarifa Social de Energia, com desconto na conta.

Crédito novo não é solução para uma conta que se repete todo mês. Ele faz sentido para trocar uma dívida cara que já existe, e não para cobrir o buraco do mês seguinte. Uma forma de enxergar para onde vai o salário é a calculadora de quanto sobra do salário.

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Perguntas frequentes

Por que a conta de luz subiu em setembro?

Principalmente porque o bônus de Itaipu, que reduziu as faturas de agosto, deixou de ser creditado. A energia elétrica residencial subiu 7,98% no IPCA de setembro, e a bandeira amarela continua somando R$ 1,885 a cada 100 kWh.

Quanto as famílias estão endividadas?

Em julho, a dívida das famílias chegou a 49,9% da renda de 12 meses, igualando o recorde do Banco Central. A parcela da renda usada todo mês para pagar dívidas é de 28,7%.

Vale pegar consignado para pagar a conta de luz?

Em geral, não. A conta de luz se repete todo mês, e um empréstimo para pagá-la só cria uma nova parcela. O consignado faz mais sentido para trocar uma dívida cara que já existe, como o rotativo do cartão.

Qual é a diferença de juros entre rotativo e consignado?

O rotativo do cartão custou em média 444,9% ao ano em agosto, perto de 15% ao mês. O consignado CLT tinha taxa média de 3,2% ao mês, quase cinco vezes menos.

Aposentado pode usar o consignado para trocar dívidas?

Pode, dentro dos 35% do benefício reservados ao empréstimo. Os 10% dos cartões consignados seguem suspensos pelo TCU.

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