Desemprego jovem sobe no mundo e chega a 67 milhões: IA pode agravar o cenário, diz OIT
Novo relatório da OIT aponta 67 milhões de jovens desempregados no mundo, taxa de 12,4%. Empregos de qualificação média são os mais ameaçados pela inteligência artificial.
Desemprego jovem sobe no mundo e chega a 67 milhões: IA pod
Cerca de 67 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados em todo o mundo, o equivalente a uma taxa de 12,4%, segundo novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (11). O número representa uma alta em relação a 2023, quando o indicador havia atingido o menor patamar histórico.
Além dos desempregados, outros 257 milhões de jovens, cerca de 20% da faixa etária, não estão empregados, nem estudando, nem em formação profissional. A OIT classifica esse grupo pela sigla NEET, do inglês Not in Education, Employment or Training.
Por que o desemprego jovem voltou a subir
Dois fatores principais explicam a reversão do cenário positivo que existia no pós-pandemia: o crescimento econômico estagnado em várias regiões e o avanço da inteligência artificial sobre postos de trabalho de qualificação média.
"No relatório anterior, pintámos um retrato positivo dos jovens que beneficiavam da recuperação após a crise da covid-19, mas a situação mudou num contexto de desaceleração", afirmou Dipa Suri Dasgupta, especialista da OIT, em coletiva de imprensa.

O papel da inteligência artificial
A IA representa um risco particular para os jovens porque os empregos mais ameaçados são justamente os que costumavam funcionar como porta de entrada no mercado de trabalho. Segundo a OIT, 6,1% dos empregos atualmente ocupados por jovens estão entre os mais expostos às novas ferramentas de automação, especialmente cargos administrativos e de escritório de qualificação média.
"Há um declínio nos empregos de qualificação média, principalmente administrativos e de escritório, que são os que correm maior risco de serem substituídos pela IA, e estas ocupações tradicionalmente serviam como porta de entrada para os jovens", explicou Dasgupta.
O cenário pode ser mais grave do que os números atuais indicam. Se apenas 10% dos empregos expostos à IA desaparecessem por completo, isso representaria 5,6 milhões de jovens adicionais em risco de desemprego ou saída do mercado de trabalho, especialmente em países de renda elevada.
Onde o problema é mais grave
As regiões desenvolvidas registaram alguns dos maiores aumentos no desemprego jovem. A Europa Ocidental viu o indicador subir 0,8 ponto percentual, enquanto a América do Norte registrou alta de 1,6 ponto percentual. A OIT aponta que o avanço da IA pode explicar parte dessa piora justamente nas economias mais desenvolvidas, onde a automação avança com mais velocidade.
O que a OIT recomenda
O relatório defende que os governos invistam em qualificação profissional voltada às habilidades que a IA ainda não substitui, como pensamento crítico, criatividade, trabalho colaborativo e adaptabilidade. A entidade também recomenda políticas de transição para jovens em risco de perder postos para a automação, antes que o desemprego estrutural se aprofunde.
Dados do relatório "Emprego e Questões Sociais no Mundo: Tendências 2026", publicado pela OIT em 11 de agosto de 2026.


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