2026 é o pior ano da série histórica do Consignado INSS
Alexandre Matos analisa os dados do Banco Central sobre o consignado INSS em maio de 2026 e explica por que este é o pior momento da série histórica do produto.

Papo de Mercado
O Banco Central divulgou o resultado de maio de 2026 para os empréstimos consignados e os números do INSS me deixaram, confesso, incomodado. Enquanto o consignado privado movimentou R$ 7,6 bilhões e o público somou R$ 8,35 bilhões, o INSS concedeu apenas R$ 3,7 bilhões. O acumulado do ano já soma R$ 26,7 bilhões, e é sobre esse número que quero conversar com você hoje, no primeiro texto do nosso novo quadro semanal aqui no blog.
O que a série histórica está nos mostrando
O Banco Central acompanha as concessões de consignado desde março de 2011, e olhando esses valores deflacionados pelo IPCA, o cenário fica ainda mais claro. Estamos 13% abaixo da janela de 2012 e 31% piores do que 2025. Não é uma queda pontual, é um patamar novo, e pior...
Quando comparo a média mensal por ano, o contraste salta aos olhos. Em 2012, a média mensal ficava em R$ 5,78 bilhões. Neste ano, estamos em R$ 5,352 bilhões, mesmo com toda a inflação acumulada e o crescimento natural que o país teve nesse intervalo de tempo.
Já vivemos dois momentos de fundo antes deste. Em 2022, foi a redução da margem extra. Em 2025, foram a fraude generalizada e o bloqueio das averbações. O que estamos vendo agora em 2026 é a soma de todos esses fatores ao mesmo tempo: a regra do desbloqueio, a diminuição da margem consignável e as mudanças na anuência. Cada um desses pontos, isoladamente, já derrubaria o mercado. Juntos, criaram o pior cenário da história recente do produto.
Quem paga essa conta
O impacto não fica restrito a bancos, promotoras e correspondentes, embora todo esse ecossistema esteja sendo diretamente atingido. Quem mais sofre são os aposentados e pensionistas, que estão sendo empurrados para linhas de crédito muito mais caras justamente quando o consignado deveria ser a alternativa mais barata e mais segura disponível para eles.
A mudança do teto de juros, que já deveria ter sido revista, foi adiada para agosto, e a pressão em torno do tema só deve crescer, inclusive no campo político, à medida que esses números se tornam públicos e as consequências para a população mais vulnerável ficam evidentes.
O que defendemos
Quero ser direto aqui. Nós não defendemos facilitação irrestrita na concessão de crédito, e obviamente somos contra qualquer tipo de fraude. Ninguém que atua de forma séria no setor deseja isso. O que defendemos é um ambiente regulatório seguro e estável, que permita ao mercado funcionar, atender bem quem precisa e proteger o aposentado, sem que regras mal desenhadas acabem produzindo justamente o resultado oposto ao que pretendiam evitar.
O consignado INSS é o maior produto de crédito do Brasil, e o pior cenário da sua série histórica não deveria ser tratado como estatística distante. É um problema real, que atinge pessoas reais, e que precisa de solução rápida.
Toda semana vou trazer aqui uma leitura como essa, com dados e um olhar de dentro do mercado. Acompanhe as próximas edições do Papo de Mercado toda semana aqui no blog, e siga @oalexandrematos no Instagram para os bastidores dessas análises.

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